quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mulheres na luta, por Eliseu Pirocelli


No cidade Nova, as mulheres tiveram papel fundamental na organização dos protestos. A grande maioria das pessoas presentes eram mulheres. Uma delas é Lidionete Aparecida Botura de Souza, de 48 anos. Lidionete é natural de Iporã, cidade do interior paranaense. Chegou em Foz no ano de 1991 e mora no Cidade Nova desde a construção do bairro, há mais de 12 anos. 

Além de trabalhar como cozinheira no Colégio Jorge Amado, no Cidade Nova II, ainda dá aulas de catequese na Capela São Gabriel Arcanjo, também no Cidade Nova. Casada há 25 anos com José Padilha – sindicalista que trabalha no Centro de Controle de Zoonoses - confessam amar o bairro em que vivem. 


Mãe de três filhos: Marcelo 22, Thaís 15 e Emanuela com 13 anos, admite que se o povo não se manifestar e se mobilizar nada muda. Ela acredita que um dos fatores do caos que se tornou o transporte na cidade foi a falta de comunicação: “Toda a mudança tem que ser pro bem da população, uma coisa repentina assim prejudicou muito”. 


Questionada sobre a participação da mulher na construção de uma nova sociedade ela diz que a mulher é um ser humano como outro qualquer e que tem que lutar junto com o homem pela transformação da sociedade: “Eu acho que a mulher ela arregace a manga, sai fora pra trabalhar, pra ajudar o marido, ajudar a tratar dos filhos, ajudar a possuir os bens materiais, ela vai, ela faz e ela tem voz também”.


Todos sabem que o transporte público de Foz já era de péssima qualidade antes da implantação do nosso sistema. Com a falta de comunicação e mudanças das linhas isso se agravou. Lidionete fala do sistema de transporte da cidade e das dificuldades que o povo pobre que utiliza o transporte público enfrenta::


fala... LIDIONETE
“Isso é abuso de poder, desvalorizando e desmerecendo a população. Quem implantou esse sistema, esse itinerário,  não precisa do ônibus. Esquecem que nós precisamos de ir pro SUS e ficar em pé no ônibus segurando criança porque não tem lugar pra gente sentar. Eu que uso o ônibus pra cima e pra baixo sei como é difícil você vir cansada do serviço. É um desrespeito com a população carente que precisa do ônibus. Um desrespeito com toda a sociedade”.


O povo do Cidade Nova, assim como de diversos outros bairros periféricos, não tem muita opção de lazer, esporte, cultura e entretenimento e não tem acesso aos bens culturais que o centro da cidade dispõe. Com o transporte coletivo de péssima qualidade, essa situação se agrava. Lidionete se indigna: “Como é que você vai assistir um cinema, não tem nem como você voltar. Meia-noite não tem mais ônibus. Aquele que perder o ônibus da meia-noite o que vai fazer? É um absurdo, isso é um desrespeito”. 


* Eliseu Pirocelli é militante do movimento hip-hop  em Foz do Iguaçu e autor do blog www.umpescadordepalavras.blogspot.com

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