quinta-feira, 28 de abril de 2011

Hora de quebrar vassouras


Carol Miskalo

Nessas andanças pela internet acabei encontrando recentemente um artigo que fala sobre a terapia da faxina. Você não sabe o que é?


Segundo uma pesquisa realizada há algum tempo atrás, o jornal britânico The Independent, divulgou o quão benéfico é para a mulher fazer faxina. E afirma que tendo a casa em ordem e limpa, as mulheres britânicas sentem-se mais felizes.

Cento e um anos de come-moração e memória ao Dia Internacional da Mulher é inaceitável ouvir ou ler coisas desse tipo. Dias atrás no programa matinal Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na TV Globo, a presidente Dilma Roussef foi fazer um omelete para provar que também sabe cozinhar.
Por que toda mulher precisa saber cozinhar? Precisa gostar de limpar a casa para sentir-se mais feliz? Não vemos pesquisas que estudem a importância da faxina para o homem, nem entrevistas em que os homens provem que sabem cozinhar.

A mulher não pode ser livre, se em imagens e pensamentos “continua uma escrava domés-tica” sendo sufocada pela sociedade que ainda vende sua imagem como um ser que deve viver em função da casa e dos filhos. Espero que entendam a minha angústia. Pois isso é uma questão de divisão de tarefas, tarefas como estas não podem ficar relegadas as mulheres. Caso não tenham percebido, os homens também sujam roupas, louças, tem filhos...

Gosto muito da canção da cantora Alicia Keys intitulada “Superwoman”. A canção fala sobre a importância da emancipação feminina, sobre o peso de ser mulher e pela força que as mulheres têm de enfrentar os desafios de ser mãe solteira e de levantar a cabeça e recomeçar a vida, mesmo que duramente.

Ser mulher continua não sendo fácil.
Nossa imagem continua sendo usada indevidamente. Nossos corpos continuam sendo vendidos. Continuamos recebendo menos pelo nosso trabalho em comparação ao homem. Continuamos apanhan-do “por precisar” como dizem os mais machistas. Con-tinuamos sendo pressionadas a seguir padrões de beleza e atitudes. Continuamos não sendo donas dos nossos próprios corpos. E continuamos sendo vistas como propriedade do homem.

A luta ainda não acabou. Temos muito o que reivindicar pelos direitos das mulheres. Não vejo outra forma de terminar esse texto a não ser gritando “Abaixo o mundo da propriedade e do poder do capital! Fora com a desigualdade, com a falta de direitos e com a opressão das mulheres – legados do mundo burguês!”

Carol Miskalo é oficienira, atriz , estudante de Letras e  autora do blog www.avozeminha.blogspot.com

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